quarta-feira, 24 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
A vida no intimo do ser
I
Tudo o que eu quis
era estar na solidão dos outros
acampar as fragas de outro ser
que fosse apenas uma curva
tudo o que eu quis
só existe dentro de mim
por mim E mais ninguém
fragmentos de átomos azuis
que caem dos meus olhos
Sou apenas o espectro de outro ser
fiapos de nuvens de mim
fui plantado em terra húmida
com barro E sangue
musgos E mágoas
de monstros açucenas
em todas as paragens da vivência
sorvendo o gosto salgado do mel
que escorre dos olhos da vida
a solidão é apenas
o adubo das minhas raízes
A morte é um orvalho
de Outonos em intervalos
dos pequenos pontos do i
Gasto horas nas vertentes
vendo a vida a passar de tabuletas
enchendo o meu fosso de lembranças
que passam por mim
deixando peugadas no meu cérebro
II
A vida dos homens é erigir cruzes
criar estrelas em hiroxima
feiras de dentaduras
pequenos eus em outros eus
III
Vejo E velejo
veleiros em fila
subindo ondas que o mar inventa
a distribuir fados
Porque não leram as vítimas da guerra?
Porque não plantaram árvores
na alma do homem?
Na minha mesa
há uma ribeira endoidecida
deslizando dos meus olhos
dividindo as colinas
do meu rosto estatuado
Desde sempre que não me vejo
Meio dia nos meus olhos
meia noite na minha alma
horas mortas dos meus sentido
Cais azulejo meus impulsos
mágoas apócrifas
…
Tudo o que eu quis
era estar na solidão dos outros
acampar as fragas de outro ser
que fosse apenas uma curva
tudo o que eu quis
só existe dentro de mim
por mim E mais ninguém
fragmentos de átomos azuis
que caem dos meus olhos
Sou apenas o espectro de outro ser
fiapos de nuvens de mim
fui plantado em terra húmida
com barro E sangue
musgos E mágoas
de monstros açucenas
em todas as paragens da vivência
sorvendo o gosto salgado do mel
que escorre dos olhos da vida
a solidão é apenas
o adubo das minhas raízes
A morte é um orvalho
de Outonos em intervalos
dos pequenos pontos do i
Gasto horas nas vertentes
vendo a vida a passar de tabuletas
enchendo o meu fosso de lembranças
que passam por mim
deixando peugadas no meu cérebro
II
A vida dos homens é erigir cruzes
criar estrelas em hiroxima
feiras de dentaduras
pequenos eus em outros eus
III
Vejo E velejo
veleiros em fila
subindo ondas que o mar inventa
a distribuir fados
Porque não leram as vítimas da guerra?
Porque não plantaram árvores
na alma do homem?
Na minha mesa
há uma ribeira endoidecida
deslizando dos meus olhos
dividindo as colinas
do meu rosto estatuado
Desde sempre que não me vejo
Meio dia nos meus olhos
meia noite na minha alma
horas mortas dos meus sentido
Cais azulejo meus impulsos
mágoas apócrifas
…
Trivialidades
Ao pé de uma amendoeira
passei por mim
ocasionalmente
tracejando no ar
a nua saudade dos belos tempos
em que subia às árvores corcundas
castigadas pelo vento
uma amendoeira
de um verde brutal
ao pé de um lago seco
onde enterrei a minha pressa
No ramo de cima
numa conversa entretida
um pássaro recorda os seus dias
num trinar de flauta embriagada
borbulhas que voejam
à minha volta dos cinco anos
contando lagartas coloridas
tristes E vagarosas
esperando o dia de anjo
em que as asas se abrem
as folhas das amendoeiras caem
sorvendo o sal do meu rosto
Cada folha que cai
faz cair um sonho meu
mas sem nunca perturbar
a criança que há dentro de mim
passei por mim
ocasionalmente
tracejando no ar
a nua saudade dos belos tempos
em que subia às árvores corcundas
castigadas pelo vento
uma amendoeira
de um verde brutal
ao pé de um lago seco
onde enterrei a minha pressa
No ramo de cima
numa conversa entretida
um pássaro recorda os seus dias
num trinar de flauta embriagada
borbulhas que voejam
à minha volta dos cinco anos
contando lagartas coloridas
tristes E vagarosas
esperando o dia de anjo
em que as asas se abrem
as folhas das amendoeiras caem
sorvendo o sal do meu rosto
Cada folha que cai
faz cair um sonho meu
mas sem nunca perturbar
a criança que há dentro de mim
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a poesia escreve-se com letras conjugadas mas o bom da poesia está nos olhos de quem a interpreta




