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sexta-feira, 15 de outubro de 2010








Qualquer Dia

Qualquer dia
eu embarco na loucura dos meus sonhos
nas profundas águas da minha sede

Qualquer dia
eu me entrego ao perigo de te amar
à loucura de te possuir
naufragando-me nos desejos proibidos

ferirei a minha integridade
sofrerei com prazer
dormirei nos teus braços
para nunca mais acordar

qualquer dia
rendo-me à tentação
de me perder em ti

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

EVELtv on WorldTV.com

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Um Poema Para Jorge Barbosa

Estou olhando o teu retrato
velho poeta, mosaico de recordações
os teus lábios ainda segredam versos na «voz íntima»
os teus olhos, habituados a contemplar
os campos despidos de verde
ainda trazem a mesma mágoa
exarada nas páginas do «Arquipélago»


Apesar da tua figura totémica de homem culto
soubeste traduzir o sentimento do teu povo
abraçaste as ilhas com os teus versos incomensuráveis


Jorge Barbosa, poeta do povo E das ilhas
estoicamente, resististe à correnteza do maneirismo
exaltando a valentia dos teus irmãos
eternizando as qualidades da terra-mãe


A tua poesia é semente de amor
lançada no coração da gente
a tua poesia é pão E água
que sustenta a alma da gente
a tua poesia é sal que retempera a esperança
de um dia ver esta terra como um imenso paraíso


Obrigado, Jorge Barbosa
por tornar a minha vida menos penosa
com a tua doce poesia, «nau» que aporta as ilhas,
«clarim da tua manhã triunfante».

quinta-feira, 7 de outubro de 2010








Gente Por Fora E Por Dentro

Um velho perguntou-me
se eu era de cá
- todos me perguntam
de onde eu vim

o mudo está demarcado
pela cor do rosto
pela aparência
pelo tamanho do bigode

o sol de cá é o mesmo de lá
meu velho
o rosto não tem alma
a alma não tem cor

conheci gente de aparência humilde
mas com o coração nas mãos
plantando flores nas janelas abertas
gente sem bigode com coração de criança
subtraíndo a tristeza dos outros

a diferença
está em ser gente por fora E por dentro
em amar aos outros
como a nós mesmos






DIDA

hoje encontrei alguém
que trazia nos olhos
a minha infância
E perguntou-me
porque ando de olhos fechados
será medo que as lágrimas se desprendam?
E acendam a memória
das ruas do meu pequeno ninho
miragens nimbadas de terra?

hoje encontrei Dida
de azul E de sonhos
driblando o destino

hoje o menino
não tinha os calções rasgados
não chupava o dedo para acalmar
a fome adesiva E resignada

Dida sorriu para mim E disse:
- o mundo adulto
é frio
calmo
E muito triste

Menina de Rembrandt








A menina olhou-me
com olhos de água
a menina de Rembrandt
de folhas no ventre
trouxe-me de novo à vida
em límpidos regatos de beijos
num aceso turbilhão de beijos

desenhaste em mim
um orvalho de sonhos
debruado de rosas húmidas
de veias cavas brincando na rede

menina a óleo
traços de mestre
sombras de sol
nódoas de sal

como os teus olhos me amam
E te abraço sedoso!

menina de Rembrandt
encosta-te um pouco mais
para me posar ao teu lado...

Poemas inéditos

a poesia escreve-se com letras conjugadas mas o bom da poesia está nos olhos de quem a interpreta