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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Esplendor de Letras

Olhos de luz

Um quarto arejado
paredes em relva
execráveis
uma mesa, um planície de rendas
horizontes oblíquos
caio em folha seca
bebo a escuridão num trago
violento

um quarto inclinado
no silencio da alma
nos olhos de luz

um quarto
de átomos do meu corpo
grudados em intervalos

Quem eu amo
em cubos arredendados
no vértice da aboboda distorcida
palavras polaridas

como gostaria de estar dentro de mim
quando fecho a porta do quarto
E levo-me para fora
para junto de quem amo

A minha cama é um vale
que ondula
nos lençóis de água
do meu quarto de tempo

o meu quarto
um quarto de mim
em quarto crescente
na terra poída do meu rosto

não consigo viver longe de mim









Vou-me


Vou-me no murmúrio dos mares
na doçura repentina
de ver tudo acontecer

quero ser-me sem recusas
colher minhas raízes de outras árvores

espero pacientemente
a minha vez





Pôr-Do-Sol


Flor púrpura
azeite esmeralda cor do mar
manchas endoidecidas
silhuetas pensativas
de nuvens abertas nas folhagens flamejantes do meu ser
taças douradas entornadas de laranjas ardentes

cubro meus anseios
com o manto triste do crepúsculo
que absorve as luzes
gotas de calcium

pôr-do-sol
minhas pálpebras em declives
diagonais, impressionismos
bocados de mim em espirais
mirando o sonolento poema
solto no céu

pôr-do-sol
onde as palavras caminham em linhas frescas

não há tempo na eternidade
não há centros nos espaços em suspiro
(como o meu corpo treme!)
suspiro de lâmpadas do íris
como canta menina azul da esferográfica
sobre o muro de mágoas que pende meus dedos

pôr-do-sol
rúbrica ligeira
autografada no céu
pela natureza
a mãe de todas as coisas!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Acordei com a sensação

Acordei com a sensação
que este é o meu último dia
E que todo o oceano apodrece em meus rins

ao olhar para trás
vejo o milheiral ressequido rabo de cometa
setembro enrugado
desilusão de um passado vazio

minhas mãos fechadas E vazias tremem inexoravelmente
enquanto bato à porta do Oráculo
para decifrar a vida E não acho a resposta

A qualquer momento soará o clarim
na carruagem de fogo
atravessarei as fronteiras da eternidade

quando eu morrer (não importa como)
acontecerá o meu poema perfeito:
morrer de desgosto pelas promessas em vão
morrer de felicidade porque amei E fui amado


Soletrando O Sol

uma árvore esbracejando
como lágrimas pulverizadas
pelo luar ao meio-dia
em prosas desérticas
coleando terços de água
numa estrada vendada

letras pó de mármore
janelas abertas invisuais
tatuagem nos olhos de barcos errantes
átomos da alma com sabor a limão
névoas sombrias do sol encurvado
sobre as minhas lágrimas descalças
vendendo lenços aos que choram

esfinge emplastrada de suor
clivagem de risos ritmados

quase sempre
escadas obtusas de dedos que descem arvorados
esmagando as bagas de luzes oblíquas
caminhando entre teias E laços
prosélitos das folhagens
de um canto inacabado

a face do mundo
são anéis orvalhados
solfejos solvidos soletrando o sol

quarta-feira, 31 de março de 2010



Eu Caminhava com as ideias

Eu caminhava com as ideias
eram tantas ideias
um exército de ideias
dando voltas no meu cérebro

tenho o tamanho dos meus palmos
palmos eloquentes
de um só rosto

eu falava com as minhas ideias
de novos mundos
de cisnes loucos

ideias
amores, ventos E lágrimas
bocados de mim

Eu caminhava com as ideias
na voz
hoje arrosto-me com elas
fios de sombra
dedos que perfuram meus olhos
modo cruel de esquecer a vida

minhas ideias…
deixem-me chorar!


Poemas inéditos

a poesia escreve-se com letras conjugadas mas o bom da poesia está nos olhos de quem a interpreta