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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

DO UNIVERSO QUE ERA SÓ MEU





Sinto saudade da minha infância
foram tempos de muita dificuldade
mas eu tinha um universo que era só meu

Após conhecer esse mundo incomensurável
catalogado pela cor da pele E de posses
de pequenos deuses E grandes artifícios
homens E mulheres atrás de máscaras
lascívia travestida de pedras preciosas
fantoches rendidos às migalhas dos que governam pela força…

Sinto saudade da minha infância, do meu universo
porque o resto é pura hipocrisia, é teatro

que a História há de revelar!




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014


NÉVOA DE LUZES 
A névoa de luzes que trago na mão
da vela dourada plantada nos olhos,
cresce no viés do vento ferido
pelo abismo dos meus passos errantes
em voo harmonioso
colhendo o sofrimento dos outros

pedras preciosas da estrada marrom
que me leva à madrugada
de lembranças E sonhos
do impenetrável mistério do céu
que cobre a minha sombra

Vejo o sol disperso
de mórbidas cores que apodrecem
nas rimas da vida, nas feridas da alma
gotejando luzes que caem da vela dourada
como o choro das aves que se levantam em ondas

ando com os pés descalços
mas agora me apetece voltar para casa
abrir a janela E deixar fluir o rio que há em mim
libertar os anseios como pássaros engaiolados
soltar-me no espaço E regressar-me à vida!




segunda-feira, 16 de dezembro de 2013



PRESTA ATENÇÃO


        Presta atenção no que vou dizer:
se amanhã eu não acordar
E se esta noite for de um negrume eterno
diga a todos que eu morri de amor
sufocado nos secos ramos arborizados do meu pensamento
entre as letras do nome da minha amada
à espera do sol, de sal E do sul

Diz à minha amada que fui fiel
apesar das tórridas lágrimas ruborizadas
aos choros ameninados nas sibéricas madrugadas

Pois, a jornada dos frustrados chegou a mim
esfacelado na engrenagem do amor

Rendo-me ao revés da rejeição.




sábado, 23 de novembro de 2013


Só

Vendo a lua cheia, ameixa dourada
só agora, sinto o quanto vivo só
de tantas viagens, de tantas viragens 
de terras E prantos, de chuvas E invernos,
só agora, sinto brotar a solidão pelas raízes
da pele escalavrada, da alma esvaziada
sinto o coração ardendo de desejos
mas nada resta senão essa dor de estar só!




quinta-feira, 24 de outubro de 2013


 OUTUBRÂNCIA DE PÉTALAS


A outubrância de pétalas,
O sabor terroso das minhas insípidas lágrimas,
A triste dor que dilacera o coração,

as teias do Outono alaranjado,
a ponte que rouba a luz dos meus sentidos
o veneno milagroso que amacia a madrugada
o segredo que escorre dos olhos de quem amo
a chuva que repassa os gânglios do telhado
os versos debruados em rochedos requebrados
outubro-me para aliviar a dor

Prensado entre o sol E a lua
besuntado de cinza E desafectos
acastelando sonhos arenosos
que tomam de assalto os meus sentidos

Neste Outubro afunilado
pediram-me para ser
o príncipe da terra santa
mas prefiro ser folha seca de Outono
navegando ao sabor do vento
ao avesso das girândolas luminosas
deste vida que é efémera E vazia.



domingo, 6 de outubro de 2013

Mágoas


O que mais plantei na vida
foram lágrimas
adubando a terra
onde me sepulto ao pôr do sol

guardo as minhas mágoas
porque ninguém as quer

Mágoas de me ver
coração extenso de abismos
sonhos inacabados, gestos adiados

em todas as esquinas de mim
o sol é uma lua de Inverno
o azul do céu é luto nos rostos
que se cruzam comigo
no tabuleiro da vida

Mágoas que sinto
góticas açucenas
que ensombram a minha memória
respigando cinzas na minh`alma

mágoas de me ver
na alma dos pobres
no olhar agastado do velho tísico
dos jornais ensanguentados

a dor enche-me de mágoas
as mágoas enchem-me de lágrimas
que se misturam com a terra
onde me apago ao pôr-do-sol.



quarta-feira, 18 de setembro de 2013



Posso tudo

Se eu pudesse apagar o meu medo
varrer os recônditos da minha memória engessada
agitar as águas do tanque de Betesda
E ser-me em esplendor 

Se eu pudesse ter domínio dos meus sonhos
das palavras que distorcem  a vontade
E guardar dos que me querem mal
a virtude E o caracter de homem bom

se eu pudesse trocar toda a ambição que me invade
pelo simples fogo de lenha do pobre
preservando a pura poesia que aprendi do Senhor

Se eu pudesse esquecer tudo o que aprendi
E perder-me nas horas descontinuas de uma flor perfumada
sentindo o gosto da terra que pisei na infância
reinventar o poente para enterrar a dor
entre rochedos E ervas E nascer de novo…

Por mim mesmo não
mas posso tudo Naquele que me fortalece!






Poemas inéditos

a poesia escreve-se com letras conjugadas mas o bom da poesia está nos olhos de quem a interpreta