sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Poema do norte
Para escrever um poema
de árvores despidas
de miragens ao norte
é preciso pisar a terra escalavrada
E ter o Sal do Oceano, da Atlântida
é falar do vento leste
pisar as estrelas na tempora
luzir as lágrimas do mar
de tórridos sois do meu olhar
Estou no norte da ilha
agarrado à cintura da Fiúra
E escrevo o farol muribundo
enquanto as ondas endiabradas
aos gritos, espumam de raiva
toda a metafísica eriçada
Para escrever um poema.
do solo lunar salineiro,
há-que trazer à memória
o barro que foi o homem desterrado
que pisou esses torrões de terra,
alimentar o sonho na revoada
dos corvos, dos pardais, da espinheira
que dentro de mim está o mundo
Aqui no norte, o único rio que existe
nasce nos meus olhos E percorre todo o meu rosto
caiem gotas incandescentes
faz nascer poemas entre as árvores
revivendo os meus sonhos de menino
porque aqui não se escreve poemas
eles nascem no mar de Fiúra E se estendem pelos pequenos montes
no morrinho de açúcar, de filho
da calhetinha, do morro leste e de mim mesmo
das borboletas E dos peixes
das rosas castanhas E cinzentas
Aqui os poemas são pintados de argila
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Poemas inéditos
a poesia escreve-se com letras conjugadas mas o bom da poesia está nos olhos de quem a interpreta
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